quarta-feira, 16 de julho de 2025

Velpeau Gessado

 Velpeau Gessado: Indicações, Cuidados, Técnica e Vantagens


Aviso médico importante: Este conteúdo tem caráter estritamente informativo e educacional. A aplicação, o ajuste ou a remoção de imobilizações toracobranquiais ou do tipo Velpeau devem ser realizados exclusivamente por profissionais de saúde habilitados (médicos ortopedistas, traumatologistas ou Técnicos em Imobilizações Ortopédicas, Técnico em Gesso).



O que é o Velpeau Gessado?

O Velpeau Gessado (frequentemente chamado de enfaixamento ou gesso tipo Velpeau) é uma técnica de imobilização ortopédica clássica e altamente eficaz, projetada para conter e estabilizar o complexo do ombro, clavícula e a articulação escápulo-umeral.

Diferente de talas comuns que imobilizam apenas o antebraço, o Velpeau envolve o tronco e o membro superior afetado, mantendo o braço fixo junto ao tórax com o cotovelo dobrado em direção ao peito e a mão voltada para o ombro oposto. Essa posição reduz drasticamente a tensão sobre os ligamentos e os ossos da região superior do corpo, promovendo o repouso biomecânico ideal para a cicatrização.

Para que serve?

A principal finalidade do Velpeau Gessado é manter o ombro e o braço em repouso absoluto e alinhamento anatômico, impedindo movimentos indesejados de rotação e abdução. Suas funções terapêuticas essenciais compreendem:

  • Estabilização de fraturas difíceis: Imobiliza estruturas onde o uso de órteses convencionais ou tipóias simples não oferece a rigidez necessária.

  • Alívio profundo da dor: Descansa a musculatura do manguito rotador e da cintura escapular, que sofre intensa tração após traumas.

  • Contentamento pós-redução: Assegura que o osso ou a articulação permaneçam na posição correta após o encaixe médico de luxações.

Quando é indicado?

O Velpeau Gessado é amplamente receitado por ortopedistas e traumatologistas em quadros clínicos específicos que exigem a contenção conjunta do ombro e do braço:

  • Fraturas da clavícula (especialmente nos terços médios ou instáveis que exigem contenção firme).

  • Fraturas do colo do úmero (proximal) em pacientes específicos ou idosos.

  • Luxações recidivantes ou instabilidades graves da articulação glenoumeral (ombro).

  • Pós-operatório de cirurgias do ombro (como reparos do manguito rotador, instabilidades complexas ou fraturas operadas).

  • Lesões acromioclaviculares de graus moderados a graves.

Quando não deve ser utilizado?

Existem contraindicações importantes para a realização ou manutenção do Velpeau Gessado:

  • Fraturas expostas ou com grave comprometimento vascular/nervoso imediato que exijam cirurgia de urgência.

  • Lesões que exijam tração contrária ou abdução imediata do braço (o Velpeau mantém o braço colado ao corpo).

  • Edema torácico ou abdominal severo, onde o enfaixamento ao redor do tronco possa comprometer a respiração adequada do paciente.

  • Alergia grave aos materiais gessados ou sensibilidade cutânea extrema na região torácica.

Materiais necessários

A confecção de um Velpeau gessado exige insumos de alta qualidade e equipe especializada:

  • Malha tubular de algodão ou jersey: Para proteger a pele do tronco e do braço contra atritos diretos.

  • Algodão ortopédico em mantas ou rolos: Utilizado para acolchoar a região axilar (ponto crítico de atrito), o tórax e o trajeto do braço.

  • Ataduras gessadas tradicionais (ou sintéticas): O material enrijecedor que dará forma e estrutura à imobilização.

  • Água em temperatura ambiente: Para umedecer as faixas de gesso.

  • Luvas de procedimento: Para o manuseio e alisamento da massa gessada.

Posicionamento do membro

O sucesso do Velpeau Gessado depende inteiramente de sua geometria de posicionamento:

  1. Flexão do cotovelo: O cotovelo do paciente fica dobrado em um ângulo aproximado de 90 graus.

  2. Posição da mão: A mão do braço lesionado é posicionada em direção ao ombro oposto ou apoiada na parte superior do tórax.

  3. Adesão ao tórax: O braço fica firmemente encostado na lateral do corpo, e o enfaixamento passa de forma circular pelo tórax e por cima do ombro saudável para sustentar o peso e impedir a queda do membro.

Passo a passo da aplicação

  1. Proteção da pele: Veste-se a malha protetora e posiciona-se algodão ortopédico extra nas axilas, costelas e proeminências ósseas para evitar assaduras e feridas por pressão.

  2. Posicionamento do membro: O paciente é orientado a manter o braço flexionado contra o peito na postura anatômica estipulada pelo ortopedista.

  3. Enfaixamento base: As ataduras gessadas, previamente umedecidas, são aplicadas envolvendo simultaneamente o braço lesionado e o tronco do paciente.

  4. Passagem pelo ombro: Faz-se o cruzamento das faixas sobre o ombro sadio para ancorar o peso do braço imobilizado, evitando que o gesso "escorregue" para baixo.

  5. Modelagem e acabamento: O aplicador alisa constantemente o gesso úmido com as mãos para fundir as camadas, garantindo uma estrutura firme, homogênea e sem pontos de estrangulamento excessivo.

Cuidados durante a aplicação e o uso

Por envolver uma grande área (tórax e ombro), os cuidados diários exigem atenção redobrada:

  • Postura e respiração: O gesso deve prender o braço sem comprimir as costelas a ponto de dificultar a respiração normal. Caso sinta falta de ar ou aperto excessivo no peito, procure ajuda médica imediatamente.

  • Higiene da axila e do tórax: Como o gesso passa pela região axilar, o suor pode acumular-se, causando coceiras e irritações severas. Siga rigorosamente as orientações médicas sobre ventilação e produtos recomendados.

  • Proibição de molhar: Se for feito com gesso tradicional, mantenha-o totalmente seco. Se for sintético (quando aplicável a técnicas híbridas), siga estritamente as restrições quanto à umidade interna.

Erros comuns

Evite falhas críticas que comprometem o tratamento no Velpeau:

  • Falta de proteção axilar adequada: Esquecer de colocar algodão suficiente na axila, gerando feridas profundas por atrito constante da pele com o gesso rígido.

  • Enfaixamento muito apertado no tórax: Comprimir o peito do paciente, gerando desconforto respiratório.

  • Afrouxamento precoce: Permitir que o gesso escorregue, fazendo com que o braço caia de sua posição anatômica de repouso.

  • Tentar remover ou cortar em casa: O Velpeau envolve áreas sensíveis e o tronco; sua remoção deve ser feita exclusivamente no consultório com serra elétrica ortopédica apropriada.

Diferença entre Velpeau Gessado e Tipóia Comum

CaracterísticaVelpeau Gessado (Rígido)Tipóia Ortopédica Comum
Nível de ImobilizaçãoRigidez total e restrição de rotação do ombro e troncoSuporte flexível que apenas sustenta o peso do braço
Indicação PrincipalFraturas de clavícula instáveis, luxações complexas e pós-cirúrgicos severosEntorses leves, contusões simples e suporte de conforto
RemovibilidadeFixo, aplicado pelo médico e removido apenas com serraRemovível pelo paciente (para higiene ou conforme liberação)
Área EnvolvidaBraço, ombro e tóraxApenas braço e antebraço com suporte no pescoço

Perguntas frequentes

1. Como dormir usando o Velpeau Gessado?

Dormir com um gesso que imobiliza o ombro e o tronco pode ser um desafio inicial. O mais recomendado é dormir de barriga para cima (decúbito dorsal) com um travesseiro leve sob a cabeça e outro pequeno apoio sob o cotovelo imobilizado para evitar torções desconfortáveis durante o sono.

2. Sinto muita coceira na axila, o que posso fazer?

A coceira é comum devido à falta de ventilação na região axilar. Você pode utilizar jatos de ar frio de um secador de cabelo direcionados para as aberturas do gesso para aliviar o calor. Jamais introduza objetos pontiagudos para coçar.

3. O Velpeau Gessado é muito pesado?

Por envolver o tórax e o braço, ele possui um peso considerável caso seja feito de gesso tradicional. Se o peso estiver causando dor excessiva no pescoço ou ombro sadio, consulte seu ortopedista para avaliar se há necessidade de ajustes de suporte.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Diretrizes para o Manejo de Fraturas de Clavícula e Ombro.

  2. Manuais de Enfermagem e Imobilizações Ortopédicas Hospitalares.

  3. Técnicas Clássicas de Traumatologia e Ortopedia Cirúrgica.

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Braquial gessado

Braquial Gessado: Indicações, Cuidados, Técnica e Vantagens

Aviso médico importante: Este conteúdo tem caráter estritamente informativo e educacional. A aplicação, o ajuste ou a remoção de imobilizações rígidas do tipo braquial devem ser realizados exclusivamente por profissionais de saúde habilitados (médicos ortopedistas, traumatologistas ou Técnicos em Imobilizações Ortopédicas, Técnico em Gesso).




O que é o Braquial Gessado?

O aparelho gessado braquial (frequentemente conhecido como gesso braquial, é uma imobilização ortopédica rígida projetada para abranger desde a região proximal do braço (logo abaixo da axila) até a região palmar ou metacarpiana, englobando a articulação do cotovelo e o antebraço.

Diferente do antebraquiopalmar (que começa abaixo do cotovelo), o gesso braquial restringe severamente tanto os movimentos de flexão e extensão do cotovelo quanto os movimentos de rotação do antebraço (pronação e supinação). Essa contenção ampla garante o repouso biomecânico necessário para ossos e articulações da região superior.

Para que serve?

A principal finalidade do braquial gessado é estabilizar de forma absoluta o cotovelo, o terço distal do úmero e os ossos do antebraço, assegurando que os tecidos lesionados cicatrizem sem interferências mecânicas. Suas funções essenciais incluem:

  • Imobilização rigorosa: Impede movimentos rotacionais e angulares que possam deslocar fraturas instáveis.

  • Alívio imediato da dor: Descansa os grupos musculares do braço e os tendões que cruzam a articulação do cotovelo.

  • Manutenção do alinhamento pós-redução: Assegura que o eixo anatômico obtido pelo médico seja mantido durante todo o período de consolidação óssea.

Quando é indicado?

O uso do braquial gessado é receitado por ortopedistas em quadros clínicos específicos que exigem a contenção do cotovelo e antebraço, tais como:

  • Fraturas do terço distal do úmero ou da região do cotovelo (como fraturas do olécrano ou cabeça do rádio, dependendo da conduta).

  • Fraturas instáveis dos ossos do antebraço (rádio e ulna) que se estendem ou exigem o bloqueio da articulação do cotovelo.

  • Luxações graves do cotovelo após a redução médica.

  • Pós-operatório de cirurgias ortopédicas complexas no braço, cotovelo ou antebraço.

  • Lesões ligamentares severas na articulação do cotovelo.

Quando não deve ser utilizada?

Existem contraindicações importantes para a aplicação de imobilizações braquiais rígidas:

  • Fraturas expostas ou com grave comprometimento neurovascular imediato, que demandam intervenção cirúrgica de urgência.

  • Fase inicial de edema (inchaço) extremo, onde o gesso circular fechado pode comprimir artérias e nervos principais, gerando riscos de complicações circulatórias (como a síndrome compartimental). Nesses casos, prefere-se iniciar com talas gessadas.

  • Feridas abertas extensas ou infecções graves na pele do braço sem o devido isolamento e tratamento cirúrgico.

Materiais necessários

A confecção de um braquial gessado de qualidade exige insumos hospitalares padronizados e a destreza dos profissionais:

  • Malha tubular de algodão: Revestimento inicial protetor para a pele do braço e antebraço.

  • Algodão ortopédico em rolos: Camadas macias aplicadas para proteger proeminências ósseas (como o epicôndilo do úmero e o olécrano).

  • Rolos de atadura gessada (ou sintética): O agente enrijecedor principal.

  • Água em temperatura ambiente: Para umedecer as faixas antes da aplicação.

  • Luvas de procedimento: Essenciais para a modelagem uniforme do gesso pelos profissionais técnicos.

Posicionamento do membro

Para o sucesso do tratamento, o posicionamento durante a aplicação deve seguir rigor técnico:

  1. Flexão do cotovelo: O cotovelo é posicionado em um ângulo padrão (geralmente em 90 graus, ou conforme a orientação específica do ortopedista para a lesão).

  2. Posição do antebraço: O antebraço é mantido em posição neutra (com o polegar apontado para cima) ou em supinação/pronação específica indicada pelo médico.

  3. Alinhamento do eixo: Evita-se qualquer torção indesejada entre o braço e o antebraço durante o processo de endurecimento do material.

Passo a passo da aplicação

  1. Proteção inicial: Veste-se a malha tubular de algodão desde a axila até a base dos dedos da mão.

  2. Acolchoamento estratégico: Aplica-se o algodão ortopédico com foco redobrado na região do cotovelo e proeminências ósseas para evitar atritos e feridas por pressão.

  3. Umedecimento das ataduras: Os rolos de gesso são submersos na água até a completa saturação e liberação das bolhas de ar.

  4. Enfaixamento progressivo: As faixas são aplicadas de forma espiralada, subindo do antebraço, passando pela articulação do cotovelo e avançando até a parte superior do braço.

  5. Modelagem e acabamento: Os Técnicos em Imobilizações Ortopédicas / Técnico em Gesso alisam o gesso com as mãos úmidas para fundir as camadas, dobram as bordas da malha para criar pestanas confortáveis e liberam a área dos dedos para garantir a livre movimentação e checagem circulatória.

Cuidados durante a aplicação e o uso

Manter a integridade da imobilização e a saúde do membro exige disciplina do paciente:

  • Mantenha o gesso seco: Caso seja confeccionado com gesso tradicional, evite qualquer contato com água. Se for sintético, siga rigorosamente as orientações médicas sobre restrições de umidade interna.

  • Proibido introduzir objetos: Nunca utilize agulhas, palitos ou réguas para coçar o interior do gesso, pois o risco de ferir a pele e provocar infecções é gravíssimo.

  • Monitore as extremidades: Observe constantemente a cor, a temperatura e a sensibilidade dos dedos. Dormência, frio excessivo ou coloração roxa indicam aperto anormal.

Erros comuns

Evite falhas que podem comprometer o tratamento do braço:

  • Falta de proteção no cotovelo: Não acolchoar devidamente a ponta do cotovelo (olécrano), gerando feridas profundas por pressão constante.

  • Aperto excessivo na dobra do cotovelo: Comprimir vasos sanguíneos importantes que passam na região anterior da articulação.

  • Alteração do ângulo de flexão: Permitir que o braço caia ou mude de posição enquanto o gesso ainda está secando.

  • Tentar remover em casa: Cortar ou tentar retirar o braquial gessado por conta própria sem o uso da serra oscilante ortopédica no consultório.

Diferença entre Braquial Gessado e Antebraquiopalmar

CaracterísticaBraquial Gessado (Longo)Antebraquiopalmar (Curto / Luva)
Área EnvolvidaDo braço (acima do cotovelo) até a mãoApenas do antebraço (abaixo do cotovelo) até a mão
Articulação do CotoveloFica totalmente travada e imobilizadaFica livre para movimentação de flexão e extensão
Indicação PrincipalFraturas instáveis de úmero distal, cotovelo e antebraço complexasFraturas de punho, rádio distal ou ossos do carpo
Nível de RestriçãoMaior restrição biomecânica do membro superiorRestrição localizada apenas no punho e mão

Perguntas frequentes

1. Posso movimentar os dedos enquanto uso o braquial gessado?

Sim! Exceto se houver contraindicação médica específica, você deve movimentar ativamente os dedos e o polegar com frequência ao longo do dia para estimular a circulação sanguínea de retorno e evitar o inchaço excessivo (edema).

2. Sinto formigamento frequente nos dedos, o que devo fazer?

O formigamento é um sinal de alerta de que o gesso pode estar comprimindo nervos ou vasos sanguíneos. Eleve o braço ligeiramente e entre em contato imediato com o seu médico ou com o serviço de ortopedia.

3. Como fazer para tomar banho sem molhar o gesso braquial?

Utilize capas protetoras impermeáveis específicas para banho vedadas com borracha ou fita adequada, tendo o cuidado de nunca submergir o braço diretamente na água do chuveiro ou da banheira.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Diretrizes para Imobilizações Rígidas de Membros Superiores.

  2. Manuais Técnicos de Enfermagem e Práticas em Técnicos em Imobilizações Ortopédicas.

  3. Protocolos de Atendimento e Manejo em Traumatologia Ortopédica.

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Luva gessada englobando os dedos (Antebraquiomamual)

Luva Gessada Englobando os Dedos: Indicações, Cuidados, Técnica e Vantagens

Aviso médico importante: Este conteúdo tem caráter estritamente informativo e educacional. A aplicação, o ajuste ou a remoção de imobilizações rígidas como a luva gessada englobando os dedos devem ser realizados exclusivamente por profissionais de saúde habilitados (médicos ortopedistas, traumatologistas ou Técnicos em Imobilizações Ortopédicas, Técnico em Gesso).





O que é a Luva Gessada Englobando os Dedos?

A luva gessada englobando os dedos (frequentemente chamada de gesso luva estendido ou aparatamento gessado digital) é uma órtese rígida de alta precisão que se estende desde o terço proximal do antebraço, passa por todo o punho, palma da mão e envolve rigidamente um ou mais dedos até a ponta (falanges distais).

Diferente do gesso antebraquiopalmar comum (que deixa os dedos livres), esta técnica restringe por completo qualquer micromovimento de flexão, extensão e desvio lateral dos dedos imobilizados, garantindo repouso biomecânico absoluto para estruturas delicadas da mão.

Para que serve?

A principal finalidade da luva gessada englobando os dedos é imobilizar estritamente as articulações dos dedos, metacarpos e punho, permitindo a cicatrização correta de tecidos que exigem estabilidade total. Suas funções essenciais englobam:

  • Imobilização digital rigorosa: Impede qualquer torção ou flexão acidental que possa deslocar fraturas pequenas ou romper reparos cirúrgicos.

  • Alívio profundo da dor: Descansa os tendões flexores e extensores, além da musculatura intrínseca da mão.

  • Proteção pós-cirúrgica e pós-traumática: Funciona como uma armadura rígida contra choques externos durante o processo de consolidação.

Quando é indicada?

O uso da luva gessada com inclusão dos dedos é receitado por ortopedistas e especialistas em cirurgia da mão em quadros clínicos específicos, tais como:

  • Fraturas instáveis das falanges (dedos) ou dos ossos metacarpianos.

  • Lesões complexas dos tendões flexores ou extensores dos dedos, especialmente após procedimentos cirúrgicos de tenorrafia.

  • Luxações graves das articulações interfalangeanas que necessitam de contenção rígida pós-redução.

  • Fraturas do punho (como rádio distal ou ossos do carpo) que exigem o bloqueio complementar de um ou mais dedos adjacentes devido à instabilidade do traço de fratura.

Quando não deve ser utilizada?

Existem contraindicações importantes para a aplicação deste tipo de gesso restritivo:

  • Edema (inchaço) excessivo e agudo na mão e dedos: O fechamento circular rígido em dedos já inchados pode comprometer rapidamente a circulação sanguínea local (risco de necrose ou síndrome compartimental).

  • Feridas abertas extensas, infecções profundas ou necrose tecidual nos dedos sem a devida cobertura estéril e acompanhamento cirúrgico constante.

  • Casos onde a reabilitação precoce (movimentação) seja preferível pelo médico para evitar a rigidez articular crônica.

Materiais necessários

A confecção de uma luva gessada englobando os dedos exige extremo cuidado técnico e insumos adequados:

  • Malha tubular de algodão de pequeno calibre: Cortada e adaptada individualmente para revestir cada dedo e o antebraço.

  • Algodão ortopédico especial ou lâminas finas de algodão: Para acolchoar as dobras dos dedos, o espaço interdigital (entre os dedos) e as proeminências ósseas das articulações.

  • Rolos de atadura gessada (ou sintética) de larguras reduzidas (2cm a 5cm): Essenciais para contornar os dedos com precisão anatômica.

  • Água em temperatura ambiente: Para ativar o endurecimento do gesso.

  • Luvas de procedimento: Para que os Técnicos em Imobilizações Ortopédicas / Técnico em Gesso modelem o material perfeitamente ao formato dos dedos.

Posicionamento do membro

O posicionamento da mão e dos dedos deve seguir critérios biomecânicos rigorosos definidos pelo especialista:

  1. Posição intrínseca mais (posição de segurança): Frequentemente, os dedos são imobilizados com leve flexão nas articulações metacarpofalangeanas e extensão moderada nas interfalangeanas (ou conforme a exigência específica da lesão do tendão).

  2. Alinhamento do eixo: Evita-se a rotação ou o desvio lateral dos dedos para garantir que o osso ou tendão consolide na direção correta.

  3. Estabilização do punho: O punho geralmente é mantido em leve dorsiflexão para otimizar a função dos tendões da mão.

Passo a passo da aplicação

  1. Proteção individual dos dedos: A malha tubular e o algodão ortopédico são aplicados cuidadosamente ao redor do dedo ou dos dedos afetados, isolando os espaços entre os dedos para evitar assaduras por atrito.

  2. Acolchoamento do antebraço e punho: Estende-se a proteção até a parte proximal do antebraço.

  3. Umedecimento das ataduras finas: Os rolos estreitos de gesso são molhados na água.

  4. Enfaixamento digital e palmar: Os profissionais aplicam o gesso envolvendo os dedos individualmente ou em bloco (conforme prescrição), descendo pela palma da mão e avançando em direção ao antebraço.

  5. Modelagem final: Os Técnicos em Imobilizações Ortopédicas / Técnico em Gesso alisam o gesso com precisão cirúrgica para garantir que não haja vincos internos, assegurando o ângulo correto de imobilização até a cura do material.

Cuidados durante a aplicação e o uso

Como a mão possui terminações nervosas altamente sensíveis e circulação delicada, os cuidados devem ser redobrados:

  • Monitore a circulação das pontas dos dedos: Observe constantemente a cor da pele visível (caso a ponta fique exposta ou através de checagens frequentes). Dormência, frio ou coloração azulada/roxa exigem atendimento imediato.

  • Mantenha o gesso totalmente seco: A umidade retida nas camadas internas dos dedos pode causar maceração rápida da pele e infecções fúngicas graves.

  • Proibido inserir objetos: Nunca tente introduzir agulhas, hastes ou cotonetes para coçar sob o gesso dos dedos.

Erros comuns

Evite falhas críticas que podem comprometer a recuperação da mão:

  • Falta de algodão entre os dedos (espaço interdigital): O atrito direto do gesso úmido entre os dedos pode gerar feridas profundas e dolorosas.

  • Aperto excessivo nos dedos: Comprimir as laterais dos dedos a ponto de bloquear o fluxo sanguíneo capilar.

  • Deixar o dedo em posição inadequada: Permitir que o dedo escape da angulação correta enquanto o gesso seca.

  • Tentar remover em casa: O uso de tesouras nos dedos pode causar lesões graves. A remoção exige ferramenta ortopédica adequada.

Diferença entre Luva Gessada com Dedos e Luva Gessada Comum

CaracterísticaLuva Gessada Englobando os DedosLuva Gessada Comum (Antebraquiopalmar)
Inclusão DigitalOs dedos lesionados ficam totalmente presos e rígidos até a pontaOs dedos ficam completamente livres para movimentação
Indicação PrincipalFraturas de falanges, lesões complexas de tendões flexores/extensoresFraturas de punho (rádio distal) sem envolvimento dos dedos
Nível de RestriçãoRigidez máxima que engloba punho, mão e dedosRestringe apenas o punho e a palma, preservando os dedos
Impacto na RotinaMaior limitação funcional temporária da mãoPermite o uso parcial dos dedos para atividades leves

Perguntas frequentes

1. Por que meus dedos precisam ficar presos se o problema foi na mão?

Quando há lesões em tendões específicos ou fraturas instáveis nas falanges e metacarpos, qualquer movimento simples dos dedos gera tração mecânica capaz de romper a cicatrização. Prender os dedos é a única forma de garantir repouso absoluto a essas estruturas.

2. O que devo fazer se sentir formigamento ou dor forte nos dedos?

O formigamento e a dor intensa sob pressão são sinais de alerta claros de compressão circulatória ou nervosa. Eleve a mão e procure imediatamente o serviço de ortopedia para avaliação.

3. Como higienizar a mão ou o braço durante o uso?

Como a luva gessada engloba os dedos e geralmente é feita de gesso tradicional, ela não pode ser molhada. Utilize capas impermeáveis vedadas para o banho e higienize apenas as áreas externas permitidas com panos levemente umedecidos.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Diretrizes para Imobilizações de Mão e Dedos.

  2. Manuais Técnicos de Cirurgia da Mão e Técnicos em Imobilizações Ortopédicas.

  3. Protocolos de Reabilitação e Manejo de Lesões Tendinosas e Fraturas Digitais.

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